Histórias de Moradores da Mooca


Esta página em parceria com o Museu da Pessoa é dedicada a compartilhar histórias e depoimentos dos Moradores do bairro.

História da Moradora: Maria Helena Cavalcante Fernandes
Local: São Paulo
Publicado em: 05/12/2012




História: A Mooca das tecelagens

Sinopse:

Ainda na década de 30, os imigrantes italianos que chegavam à cidade de São Paulo, instalavam-se majoritariamente em bairros como a Mooca, o Belém e arredores. A família de Maria Helena estava por lá, com seus costumes e comidas italianas misturadas já nesse momento a uma leva de migrantes do nordeste. A cidade ainda era bem menor, e a natureza mais próxima. A memória de Maria Helena nos leva até a piqueniques na Serra da Cantareira, e a terrenos em ruas em que o asfalto ainda não chegara. As fábricas de tecelagem da Mooca, nas quais Maria Helena trabalhou, também são cenários para suas recordações.

História

Quando eu saí do primário, fui aprender a cerzir. Porque na Móoca tinha muita tecelagem, lanifícios, então era o tecido que usavam, tinha... não era tudo assim, tropical, inglês, essas coisas, que depois começou a vir, e acabou com as tecelagens, porque vinha quase perfeita a peça.

Quando eu aprendi a cerzir, fui aprender com uma vizinha que a lanifício dava peças para ela em casa trabalhar e eu fui aprender com ela, a cerzideira. A cerzideira puxava a peça de 50 metros mais ou menos, de cashemira, tudo em cru, depois ia para outra tecelagem tingir. E tinha a marcadora de defeitos da peça, que puxava assim, como se fosse um gol, de um lado a peça, do outro lado a gente puxando para ver os defeitos. Marcava com um x, e a cerzideira ia acertando o defeito da peça.

Meu primeiro trabalho foi esse, aprendi primeiro a costurar, depois aprender a cerzir, com essa vizinha. Depois que uma amiga falou: “Puxa, você está aprendendo a cerzir, você vai trabalhar no Edifício Inglês...”, que era também perto, um pouquinho mais abaixo da Siqueira Bueno, os Gasparian, firma Gasparian.

Fui já ganhando bem , já fui trabalhar já registrada, tudo. Fiquei um ano trabalhando com ela. Depois começou a pagar um real por hora. Fiz duzentas horas no mês, eu nem comia, eu era vizinha dela. E aí fui trabalhar, com 15 anos entrei no Edifício, saí com 21 para casar. Fiz um acordo com ele, sai porque meu marido, naquele tempo também, achava que precisava ficar em casa: “Por que vai trabalhar?” Ele ganhava bem, ele trabalhava numa loja na Silva Jardim, também na Móoca, Belém. Era mais Belém. Ganhava bem, ainda estudava na Álvares Penteado, ele fazia Economia. Estava no segundo ano de economista.

Estudava à noite, e trabalhava nessa loja, entrou menino também nessa loja, de calça curta, ele contava, e a gente se conheceu no caminho, ele ia almoçar, e eu saía para o almoço... Era quase vizinho e a gente nunca se viu. Ele mudou o horário um dia para a Siqueira Bueno, e eu estava descendo, que a gente ia almoçar em casa. Uma hora de almoço e a gente corria a almoçar em casa. O movimento da rua era tudo moças que iam trabalhar, subiam para as suas casas para almoçar, e voltava no outro período. A gente se encontrou, e aí deu certo, se gostou.

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